A tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis. A forma pulmonar da doença é a mais frequente e de maior relevância para a Saúde Pública, responsável pela manutenção da sua transmissão. No entanto, a tuberculose pode ocorrer em outras partes do corpo (tuberculose extra-pulmonar).

O Relatório Mundial da Tuberculose 2018, da Organização Mundial da Saúde (OMS), relata que aproximadamente 10 milhões de casos de tuberculose e uma morte a cada 21 segundos são registradas todos os anos no mundo. Dados do último relatório da OMS indicam que a tuberculose é a doença infecciosa que mais mata jovens e adultos, ultrapassando o HIV/AIDS.

No Brasil, em 2018, foram notificados aproximadamente 76 mil casos novos e 4,5 mil mortes em decorrência da doença.

Em Minas Gerais, foram notificados 3.627 casos novos da doença em 2018. Dos 853 municípios mineiros, 546 (64%) registraram pelo menos 1 caso de tuberculose entre os seus residentes. As regionais de Belo Horizonte, Juiz de Fora, Montes Claros, Divinópolis e Uberlândia apresentaram maior número de casos novos da doença em 2018, sendo que a região metropolitana de Belo Horizonte (MG) concentra, aproximadamente, um terço dos casos do Estado.

A transmissão da tuberculose pulmonar ou laríngea ocorre de pessoa a pessoa pela via respiratória, quando um indivíduo com tuberculose elimina bactérias pela tosse, espirro ou fala, e essas são inaladas por um indivíduo saudável. Quanto maior a intensidade e a frequência da tosse, o tempo de permanência do indivíduo com tuberculose com os seus contatos (pessoas que vivem no mesmo domicílio, que trabalham ou dividem o mesmo ambiente), e quanto menor a ventilação do local, maior a probabilidade de infecção pelo bacilo.

Qualquer pessoa pode adoecer por tuberculose, embora alguns grupos populacionais, devido às suas condições de saúde e vida, possuem maior risco de adoecimento, como os indígenas, pessoas que vivem com o vírus HIV/AIDS, diabéticos, pessoas em situação de rua e os privados de liberdade, entre outros.

O principal sintoma da tuberculose é a tosse, que pode vir acompanhada de febre ao final da tarde, suor noturno e emagrecimento. Recomenda-se que todo indivíduo com tosse de duração de 3 ou mais semanas seja investigado para a tuberculose. Para isso, deve-se procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência.

O diagnóstico da tuberculose é realizado pela avaliação clínica do paciente, por exames bacteriológicos e exames complementares (raio X de tórax, entre outros). O Estado de Minas Gerais possui uma rede de laboratórios que realiza o Teste Rápido Molecular (que detecta em algumas horas a bactéria da tuberculose e a resistência à rifampicina, um dos medicamentos utilizados no tratamento básico) e outros exames para o diagnóstico e acompanhamento dos casos de tuberculose.

A tuberculose tem cura e seu tratamento é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para o êxito do tratamento, é importante que o paciente tome os medicamentos de forma regular (todos os dias, em doses adequadas) e pelo tempo previsto (mínimo de 06 meses). Com aproximadamente 15 dias de tratamento, a transmissão da bactéria do indivíduo doente para outras pessoas é interrompida, evitando novos casos da doença.

O abandono do tratamento é um dos principais desafios para o controle da tuberculose e favorece a manutenção de sua transmissão. Adicionalmente, essa situação pode causar a resistência da bactéria aos medicamentos utilizados no tratamento, o que pode levar à ocorrência de casos graves e óbito. Em 2018, o percentual de abandono em Minas Gerais foi de 8,4%, considerado alto para os parâmetros recomendados pelo Ministério da Saúde (<5%).

A Coordenação do Programa Estadual de Controle da Tuberculose de Minas Gerais da SES-MG desenvolve diversas ações relacionadas ao planejamento, gestão e vigilância epidemiológica da tuberculose no Estado, entre elas:

  • Elaboração e execução do Plano Estadual pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde, baseado no Plano Nacional, que propõe ações e metas para o cumprimento das diretrizes do Ministério da Saúde;
  • Monitoramento dos Planos Regionais pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde, que propõe ações e metas para o cumprimento das diretrizes do Plano Estadual;
  • Integração entre instituições de ensino e serviço disponibilizando capacitações de recursos humanos, com vistas à qualificação da vigilância e assistência dos casos de tuberculose;
  • Visitas de monitoramento, avaliação e apoio técnico às regionais de saúde e municípios prioritários para a tuberculose, considerando as diretrizes do programa;
  • Articulações intra e interssetoriais para o fortalecimento das ações de vigilância e controle da tuberculose nas populações vulneráveis (pessoas em situação de rua, privados de liberdade, HIV/Aids, indígenas e trabalhadores da saúde);
  • Monitoramento da gestão de casos de tuberculose com esquemas de tratamento especiais ou resistência às drogas;
  • Monitoramento de indicadores e ações de vigilância através da avaliação dos dados dos sistemas de informação (Sinan, SITETB e ILTB);
  • Identificação de estabelecimentos de referência secundária e terciária para a tuberculose e apoio técnico aos mesmos;
  • Ações de Advocacy, Comunicação e Mobilização Social, entre elas a participação no Comitê Mineiro para o Controle Social da TB;
  • Articulações com o Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) - FUNED, com vistas ao apoio diagnóstico e acompanhamento laboratorial dos casos de TB;
  • Estímulo à detecção precoce da tuberculose pela Atenção Primária à Saúde através da busca ativa dos sintomáticos respiratórios (SR) e envio mensal de dados consolidados;
  • Realização de reuniões mensais com representantes da Rede Técnica Metropolitana de BH para o controle da TB no Estado. 

 VIGILÂNCIA E MANEJO CLÍNICO DA TUBERCULOSE

POPULAÇÕES VULNERÁVEIS

PLANEJAMENTO

SISTEMAS DE INFORMAÇÃO E DADOS EPIDEMIOLÓGICOS

LEGISLAÇÃO

1º Seminário Estadual para o Controle da Tuberculose no Sistema Prisional de Minas Gerais

O desconhecimento é um dos principais desafios para o controle da tuberculose. Por isso, é muito importante sensibilizar a comunidade a respeito da doença. Tire suas dúvidas: 

O que é tuberculose?

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como "Bacilo de Koch". Essa doença afeta principalmente os pulmões, mas pode acometer outras partes do corpo (TB extra-pulmonar), como: gânglios, rins, ossos, intestinos e meninges.

Como se transmite a tuberculose?

A transmissão da tuberculose pulmonar ocorre de pessoa a pessoa pela via respiratória, isso quer dizer que quando um indivíduo doente tosse, espirra ou fala, ele espalha no ar pequenas gotículas contendo a bactéria causadora da TB. Quando um indivíduo saudável inala essas gotículas, as bactérias são levadas para o seu pulmão.

É importante ressaltar que a tuberculose é transmitida pelo ar e não por outras formas como sexo, sangue, beijo, copo, talheres, roupas, colchão e outros objetos.

Como prevenir a tuberculose?

Importante: a melhor forma de evitar a transmissão da doença é fazer o seu tratamento de forma regular. Após aproximadamente 15 dias de uso dos medicamentos, os pacientes com tuberculose não transmitem mais a bactéria. Além disso, outras medidas são recomendadas, como:
  • A vacina BCG, indicada para crianças de 0 a 4 anos, protege contra as formas graves da doença e é disponibilizada no Programa Nacional de Imunização;
  • A identificação e avaliação de sintomáticos respiratórios (indivíduos que apresentam tosse por três semanas ou mais) em unidades de saúde, domicílios e instituições de longa permanência;
  • Medidas ambientais, como iluminação e ventilação adequada de ambientes públicos, de moradia e trabalho;
  • Identificação e tratamento da infecção latente da tuberculose, que evitará novos casos de tuberculose.

Quais são os principais sintomas da tuberculose pulmonar?

Tosse persistente, com ou sem catarro, por mais de três semanas, podendo ser acompanhada dos seguintes sintomas:
  • febre, geralmente no final do dia;
  • suor noturno;
  • emagrecimento;
  • falta de apetite;
  • cansaço;
  • dor no peito.

Como é feito o tratamento?

A doença tem cura, sendo o seu tratamento disponível pelo SUS. É importante que o paciente tome os medicamentos de forma regular (todos os dias, em doses adequadas) e pelo tempo previsto (mínimo de 06 meses). Mesmo com a melhora dos sintomas o tratamento não pode ser interrompido.

O comparecimento às consultas mensais no posto de saúde, a realização de exames de escarro e a testagem para o HIV são fundamentais para o sucesso do tratamento. 

Além disso, o estabelecimento de vínculo entre o paciente e a equipe de saúde, assim como a tomada supervisionada dos medicamentos por profissional de saúde (tratamento diretamente observado) são importantes estratégias que colaboram para o êxito do tratamento e a cura.

Quais os cuidados que os contatos devem seguir?

As pessoas que convivem com um caso de tuberculose (pessoas que vivem no mesmo domicílio, que trabalham ou dividem o mesmo ambiente), são chamadas de contatos. Elas podem adoecer por tuberculose e também transmitir a doença para outras pessoas. Por isso é necessário que os contatos também procurem uma Unidade de Saúde para avaliação. Cada contato será avaliado individualmente para a conduta mais adequada (testes laboratoriais, tratamento de tuberculose, tratamento preventivo, etc).

Pessoas que vivem com o vírus do HIV têm maior risco de adoecer por tuberculose?

Sim. Há maior risco de adoecimento em portadores de doenças imunossupressoras, especialmente os infectados pelo HIV. Eles possuem o risco 28 vezes de adoecimento por tuberculose em relação à população geral. Por isso, é recomendado que todas as pessoas que vivem com o HIV (PVHIV) sejam avaliadas quanto à presença ou prevenção da tuberculose.

O que é infecção latente da tuberculose (ILTB)?

A infecção latente da tuberculose (ILTB) ocorre quando indivíduos são portadores da bactéria que causa a tuberculose em estado latente (adormecida) e permanecem saudáveis e sem sintomas de doença.

Em algumas situações (contatos de casos de tuberculose, pessoas que vivem com o vírus HIV, indivíduos imunossuprimidos), pessoas com ILTB possuem risco de adoecimento para a tuberculose. Nesses casos, o tratamento da ILTB é recomendado e reduz em 60 a 90% o risco de ter a doença.