Em referência ao Dia Mundial de Luta contra a AIDS, celebrado hoje, 1º de Dezembro, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) busca sensibilizar a população em relação à doença. Para isso desenvolveu uma campanha informativa que está sendo veiculada no site Sexo Seguro, no Blog da Saúde MG e nas redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram), e tem como objetivo a divulgação de informações sobre cuidados, medidas de prevenção e formas de tratamento da AIDS e das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Além de reforçar a importância do diagnóstico precoce.

Crédito: Adair Gomes

Segundo a coordenadora do Programa de ISTs/Aids e Hepatites Virais da SES-MG, Jordana Costa Lima, apesar dos grandes avanços em relação ao tratamento e qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV, um dos maiores problemas que envolvem a AIDS continua sendo a falta de diagnóstico precoce.

“Isto porque o vírus causador da infecção possui uma chamada janela imunológica (fase em que o vírus encontra-se indetectável no sangue) e a pessoa poderá transmitir o Vírus mesmo não apresentando sintomas. Quanto mais cedo descoberto, mais rápido será o tratamento. Por isso é tão importante reforçar as informações sobre a doença”.

Doença em Minas

Em Minas Gerais, no período de 2007 a 2017, foram diagnosticados 37.755 casos de HIV/AIDS, que estão distribuídos em 730 municípios. 40% desses casos foram diagnosticados em heterossexuais, 33% em homossexuais e 5% em bissexuais. Mais de 46% dos casos conhecidos estão entre jovens de 20 a 34 anos. Em 2017, no período de janeiro a 29 de novembro, foram diagnosticadas 3.543 pessoas com a doença.

Segundo Jordana, no período de 2012 a 2016, houve um aumento significativo de casos da infecção no público masculino, chegando em 2017, uma média de 3 homens para cada 1 mulher soropositiva. “Ao analisarmos a categoria de exposição observamos um aumento de casos entre homens que fazem sexo com homens (HSH), representando 38% a mais dos casos notificados no ano de 2015”, disse.

A taxa de incidência da AIDS em Minas é de 20,4 pessoas a cada 100 mil habitantes. As regionais de saúde de Belo Horizonte, Uberlândia e Divinópolis estão entre regiões com mais casos da doença. A HIV não apresenta sintomas e o acompanhamento médico desde o início é imprescindível para se garantir qualidade de vida. O diagnóstico precoce é fundamental para interromper a cadeia de transmissão do vírus e também para que o tratamento seja realizado da maneira mais adequada.

Medicamentos

O Brasil é referência internacional no tratamento de HIV/AIDS. Por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) é disponibilizando mensalmente às pessoas que vivem com a Aids os antirretrovirais por meio das Unidades Dispensadora de Medicamentos (UDMs) dos CTA/SAE. Atualmente, o estado de Minas Gerais fornece medicamentos para aproximadamente 43 mil pessoas HIV positivas.

Os antirretroviais são medicamentos que combatem a multiplicação do vírus HIV e fortalecem o sistema imunológico. O tratamento contínuo com os remédios reduz a mortalidade e o número de internações e infecções por doenças oportunistas, que atacam o sistema imunológico. Seu uso é fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida de quem tem HIV/Aids.

Segundo Jordana Costa Lima, hoje em dia, é possível ser HIV positivo e viver com qualidade de vida. “Mas é essencial tomar os medicamentos indicados e seguir corretamente as recomendações médicas. Saber precocemente da doença é fundamental para aumentar ainda mais a sobrevida da pessoa”.

PrEP

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de risco à infecção pelo vírus é uma terapia de uso preventivo de medicamentos antirretrovirais antes da exposição ao HIV. Tem como objetivo prevenir a infecção pelo vírus e promover uma vida sexual mais saudável. A Profilaxia é indicada para populações em situação de maior vulnerabilidade e com risco acrescido de infecção pelo HIV, ou seja, homens que fazem sexo com homens, gays, travestis, transexuais, profissionais do sexo e casais sorodiferentes (casais onde um dos parceiros vive com HIV e o outro não e que têm relações sexuais, repetidas vezes, sem o uso de camisinha ou que têm usado a Profilaxia Pós-Exposição repetidamente, ou que apresentem infecções sexualmente transmissíveis).

A PrEP estará disponível em 180 dias após a publicação do Protocolo Clínico para uso da PrEP no Diário Oficial. A sua implementação se dará de forma gradual, com monitoramento anual. Segundo o Ministério da Saúde a estimativa é que cerca de 7 mil pessoas farão uso da profilaxia no país, no primeiro ano de implantação. Em Minas está previsto a chegada dos primeiros tratamentos no início de 2018.

Prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)

Além da distribuição gratuita de preservativos e testes rápidos pelas Unidade Básicas de Saúde, Serviços de Atenção Especializada (SAE) e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e outros serviços credenciados, outras recomendações também são importantes para a prevenção da infecção:

  • Fazer uso do preservativo (masculino ou feminino) em todas as relações sexuais;
  • Não compartilhar agulhas e seringas;
  • Usar material esterilizado na aplicação de tatuagens e piercings;
  • Realizar os exames de pré-natal, durante a gestação;
  • Evitar materiais não esterilizados em clínicas odontológicas, nas manicures, barbearias, etc;
  • Evitar o uso abusivo de álcool e outras drogas ilícitas. Elas podem alterar o nível de consciência do indivíduo e a capacidade de tomar decisões sobre a forma de se proteger.

» Para mais informações sobre HIV/AIDS acesse aos hotsites Sexo Seguro e Aids, e o Blog da Saúde MG!

 

Por Míria César