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A poliomielite ou pólio é uma doença infecto-contagiosa aguda, causada por um vírus que vive no intestino, denominado Poliovírus. Embora ocorra com maior frequência em crianças menores de quatro anos, também pode ocorrer em adultos. As más condições habitacionais, a higiene pessoal precária e o elevado número de crianças numa mesma habitação também são fatores que favorecem a transmissão da poliomielite.

A maior parte das infecções apresenta poucos sintomas (forma subclínica) ou nenhum e estes são parecidos com os de outras doenças virais ou semelhantes às infecções respiratórias como gripe - febre e dor de garganta - ou infecções gastrintestinais como náusea, vômito, constipação (prisão de ventre), dor abdominal e, raramente, diarréia. Cerca de 1% dos infectados pelo vírus pode desenvolver a forma paralítica da doença, que pode causar sequelas permanentes, insuficiência respiratória e, em alguns casos, levar à morte.

Transmissão

Uma pessoa pode transmitir diretamente para a outra. A transmissão do vírus da poliomielite se dá através da boca, com material contaminado com fezes (contato fecal-oral), o que é crítico quando as condições sanitárias e de higiene são inadequadas. Crianças mais novas, que ainda não adquiriram completamente hábitos de higiene, correm maior risco de contrair a doença. O Poliovírus também pode ser disseminado por contaminação da água e de alimentos por fezes. A doença também pode ser transmitida pela forma oral-oral, através de gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar. Desenvolvendo ou não sintomas, o indivíduo infectado elimina o vírus nas fezes, que pode ser adquirido por outras pessoas por via oral. A transmissão ocorre com mais frequência a partir de indivíduos sem sintomas.

Prevenção

A poliomielite não tem tratamento específico. A vacina oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é a melhor forma de prevenação. A doença também deve ser evitada com medidas preventivas contra doenças transmitidas por contaminação fecal de água e alimentos.

Qual a importância da vacinação para manter a pólio erradicada no país?

No início do século XX, as doenças imunopreveníveis como poliomielite e varíola eram endêmicas no Brasil, causando elevado número de casos e mortes em todo o país. As ações de imunização e, especialmente os 44 anos de existência do Programa Nacional de Imunizações (PNI), foram responsáveis por mudar o perfil epidemiológico destas doenças no Brasil. Isso foi uma importante conquista da sociedade brasileira, ao demonstrar sua eficiência erradicando a febre amarela urbana, a varíola, bem como a eliminação da poliomielite, da rubéola, da síndrome da rubéola congênita e do sarampo. Além disso, reduziu drasticamente a circulação de agentes patógenos, responsáveis por doenças como a difteria, o tétano e a coqueluche.

Além do caso na Venezuela, há outros locais que ainda registram a doença?

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, três países ainda são considerados endêmicos (Paquistão, Nigéria e Afeganistão). Por isso, embora o Brasil esteja livre da paralisia infantil desde 1990 é fundamental a continuidade da vacinação para evitar a reintrodução do vírus da poliomielite no país.

Há riscos de surgirem casos de pólio no Brasil ou em Minas?

Considerando a divulgação recente de um caso suspeito de pólio em uma criança Venezuelana de etnia indígena e considerando que a Venezuela e o Brasil fazem fronteira, havendo uma intensa migração de pessoas entre os países e que há baixas coberturas vacinais contra a Poliomielite, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) destaca a importância da vacinação e alerta sobre os cuidados para prevenção da doença.

Enquanto houver circulação do vírus, vacinal ou selvagem, em qualquer outro país há risco de reintrodução da pólio em nosso território. Apesar da doença estar erradicada no Brasil, ela ainda é presente em países da África, Ásia e Oriente Médio. A imunização contra a pólio é a responsável por manter a eliminação da doença no país.

Quando ocorreu o último caso de pólio no Brasil? E em Minas?

Apesar da Poliomielite não ser registrada no país desde 1990, enquanto houver circulação do vírus, vacinal ou selvagem, em qualquer outro país há risco de reintrodução da pólio em nosso território. Isto porque a doença está presente em países da África, Ásia e Oriente Médio.

Minas Gerais registrou o último caso de poliovírus selvagem no município de Santa Maria de Itabira, em 1987. Entretanto, o risco existe para todos os municípios que estão com coberturas abaixo de 95%.

Quais ações a SES-MG tem realizado em relação à vacinação contra a pólio?

Diante do caso notificado na Venezuela, a SES-MG reforçou as ações para manter erradicada a doença no Estado, entre elas:
  • Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e Seguimento contra o Sarampo: programada para 06 a 31 de agosto, sendo o dia "D" de mobilização social em 18 de agosto.
  • Realização de diversas videoconferências e capacitações sobre coberturas vacinais com as 28 regionais de saúde e multiplicação para os municípios pertencentes a cada regional;
  • Repasse de incentivo financeiro complementar, no valor de R$ 5.801.647.55, para intensificação da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite, Seguimento contra o Sarampo e Multivacinação, no Estado de Minas Gerais.
  • Repasse de incentivo financeiro complementar, no valor de R$ 60.119.440.00, aos 853 municípios para estruturação de 3.412 salas de vacina, no Estado de Minas Gerais. São salas que já funcionam dentro das unidades de saúde e serão melhor estruturadas. Não se tratam, portanto, de salas novas.
  • Parceria com a Secretaria Estadual de Educação para Vacinação nas Escolas. Esta ação já está sendo implementada desde o ano passado. Foi uma parceria com a Secretaria Estadual de Educação, estendendo a recomendação para todos os municípios. Em 2017, publicou-se a Portaria Interministerial Nº 1.055, que redefiniu as regras e os critérios para adesão ao Programa Saúde na Escola (PSE) de forma a reafirmar a importância de verificação e atualização da situação vacinal em âmbito escolar. Nesse contexto, através de uma ação conjunta, a Secretaria de Estado de Saúde e a Secretaria de Estado de Educação fomentam a vacinação nas escolas públicas e privadas, afim de contribuir para o alcance e adesão das crianças e adolescentes na faixa etária de 09 a 14 anos, professores e demais componentes da comunidade escolar. Esta ação será desenvolvida nos dois semestres de 2018, sendo um período durante a Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza; e outro durante a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e Seguimento contra o Sarampo.

A vacina contra a pólio é segura?

A vacina é segura, altamente eficaz, quando o esquema vacinal é feito de forma completa, e está disponível em toda a rede pública de saúde do Estado. O Ministério da Saúde reforça que todos os pais e responsáveis têm a obrigação de atualizar as cadernetas de seus filhos, em especial das crianças menores de cinco anos que devem ser vacinadas, conforme esquema de vacinação de rotina.

A vacina pode gerar efeitos colaterais?

Em muitos casos, pais e responsáveis não vêm mais algumas doenças como um risco, como é o exemplo da poliomielite. Por isso, é necessário ressaltar a importância da imunização e desmistificar a ideia de que a vacinação traz malefícios.

O que pode explicar a queda nas coberturas vacinais?

A queda das coberturas vacinais é multifatorial, não possui uma única causa. Além de outras causas, as principais são:
  • Não ocorrência de casos de doenças imunopreveníveis. O grande sucesso do programa nacional de imunização (PNI) com campanhas anteriores bem-sucedidas, com a consequente redução de doenças evitadas com vacinas. A redução de casos acabou provocando um efeito inverso do desejado, criaram uma falsa sensação de que as vacinas não são mais necessárias.
  • Grupos contrários a vacinação. Esses grupos lançam as informações sem veracidade. Todas as vacinas são incluídas no calendário nacional de vacinação após uma análise sobre a importância da doença e estudos que comprovem que o produto trará benefício e não risco para população.
  • Divulgação das chamadas fake news (notícias falsas) nas redes sociais e que podem causar alarde e assustar a população.
  • Problemas com a transmissão de dados dos municípios para o Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações.

Como a SES-MG avalia a atual cobertura vacinal no estado?

As coberturas estão baixas. Enquanto a cobertura vacinal não estiver em 95%, a população não estará protegida.

Como é o esquema vacinal contra a pólio?

Desde de 2016 o Programa Nacional de Imunização (PNI) adota a Vacina Inativa da Poliomielite (VIP) para as três primeiras doses, aplicadas aos 2, 4 e 6 meses de idade. E para as duas doses de reforço, em crianças de 15 meses e quatro anos de idade. A vacina utilizada é a Vacinal Oral da Poliomielite (VOP).

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